22 de Xullo de 2018

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A SOCIEDADE G.A.F.A. E OS NOVOS COMÉRCIOS, por Daniel Lago

30-12-17

A venda a retalho está a variar os seus modos de chegar ao público. Temos por diante um novo mundo onde o comercio eletrónico está a mudar muitos dos hábitos dos consumidores, que já, muitos deles, não deslocam a nenhuma loja das nossas cidades para fazer as suas compras. Nesta altura estamos em Vigo a viver uma polémica sobre o positivo e o negativo das novas grandes superfícies comerciais que estão a ser desenhadas na contorna da cidade e de como pode ver-se afetado o comercio chamado tradicional.

O mundo está a virar mais rápido do que possa um sozinho compreender. Nesta viragem, olhamos dados indicadores destes novos usos na maneira de fazer as compras. Assim é que as empresas de logística aumentaram um 20% o seu negocio no último ano no nosso País, por exemplo, como consequência direta do aumento do comercio on-line.

Se calhar, estamos a mudar a maneira em que mercamos. Neste sentido, ir a uma loja a dia de hoje não é unicamente um ato definido pela necessidade de fornecer de algum bem ou serviço determinado. Tem já hoje uma outra face da venda que é a própria experiência de compra. Enfatizar o lado da experiência frente o facto exclusivo da compra é algo que está a ganhar terreno no comércio ao retalho, para consolidar face do comercio das lojas on-line.

Vemos por diante como a Amazon abre lojas com presença física ou como o conceito das lojas Apple ajudam exclusivamente a criar uma comunidade de usuários diferenciados dos da sua competência; na realidade numa loja Apple o objetivo não é a venda do produto, é a venda da experiência como proprietário de um produto já mercado anteriormente da própria marca.

A experiência é a nova máxima neste novo modelo de comércio, os produtos existem na rede, na web, no on-line, a experiência é que é física e tem que ser única. Um novo modelo de economia; um novo modelo de sociedade no fundo; uma sociedade GAFA, uma sociedade dominada pela Google, a Amazon, o Facebook e a Apple.

Neste novo modelo, as empresas grandes e marcas de luxo precisam de mais e mais metros de superfície no sentido de oferecer estas novas experiências. O vaziamento, nesta procura de maior espaço, de muitos locais comerciais nas baixas das cidades e em centros comercias que ficaram obsoletos provoca a chegada de novos desenvolvimentos imobiliários, por um exemplo, de lojas independentes, artesanais e de comércio local nesses locais deixados nas baixas das cidades, agora já mais próprios da economia “gig”; isso que damos em chamar a economia do talento. O comercio local tem que tornar numa venda de experiências únicas, com produtos únicos e de valores sustentáveis para a comunidade.

Neste sentido, temos por diante uma reestruturação do espaço urbano tal como este foi entendido até o de agora. Na mesma temos por diante varias experiências de reutilização de antigos centros comerciais, fundamentalmente nos EUA, onde algum deles têm uma segunda vida como universidades ou até hospitais ou bem com centros de negócios para empreendimentos empresariais. Por acaso, como modelo de reformulação de um velho espaço comercial temos o mais antigo dos “shoppings” dos EUA , construido no 1828 em Rhode Island e reformulado como solução habitacional recentemente.

Na mesma temos também novos empreendimentos de grandes zonas comerciais na reestruturação do espaço urbano. Umas novas grandes superfícies de 4º geração, onde o novo conceito de experiência ganha frente aquele outro conceito anterior de grande armazém. Assim, neste sentido, dar uma experiência de compra é fundamental para entender o futuro do comercio físico que temos por diante.

Reformular o espaço das nossas vilas e cidades neste sentido é um repto de País que temos por diante, A experiência única de vir mercar cá, tem que ser sugestionada em torno a valores tanto do património histórico-artístico como também paisagísticos, tanto como uma oferta que aporte experiências únicas de ócio e divertimento.

Neste sentido, é preciso uma ordenação clara das novas zonas comerciais que não podem ser unicamente metros e metros de naves que funcionam como armazém ao por maior. É preciso, também neste sentido, uma reformulação desde já do comercio tradicional que não pode funcionar unicamente como distribuidor de grandes marcas, já que essa é uma batalha perdida já há muito tempo.

Procurar a venda da experiência é uma necessidade para a sobrevivência do comercio e é algo que estamos a deixar passar. Na hotelaria e restauração já bem começou este caminho, mas no comercio temos muito que avançar todavia.

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